Quando corretamente alocada e usada, a reserva de emergência pode te salvar em diversas situações. Se você já tem então pode ficar mais tranquilo, se não tem então comece a se preocupar e repense suas prioridades.

Você pode estar se perguntando, mas como uma reserva pode me salvar?

A resposta é simples: imprevistos acontecem! Na verdade, é previsto que imprevistos acontecem. Cabe a você se preparar para eles e deixar de contar com a sorte.

Afinal, o que é a reserva de emergência?

Simples! Uma reserva que você pode usar em emergências.

A ideia da reserva de emergência é muito simples. Consiste em se planejar para guardar um valor que você pode usar se algum imprevisto acontecer.

Imagine que, por exemplo, você tropece na rua e quebre o pé. No desespero você acabou indo em uma clínica particular onde eles fizeram todos os procedimentos. No final você saiu com o pé no gesso e uma conta para pagar, de onde você irá tirar esse dinheiro?

Bem, depende.

Se você tiver sua reserva de emergência você pode resgatar esse valor, pagar a conta e voltar para casa com a consciência tranquila. Mas, e se não tiver?

Pois bem, você terá que dar alguma solução:

  • Ir em busca de um empréstimo no banco
  • Pedir emprestado para um amigo ou parente
  • Conseguir um adiantamento

Isso é claro, se você tiver um bom relacionamento com o banco, seu chefe ou algum conhecido que te empreste o dinheiro. E se não tiver? Aí você vai ficar devendo para a clínica.

Acho que não preciso continuar citando as consequências, né?

E esse exemplo ainda é simples. O valor não é tão alto e a situação não é tão complicada, mas dá para imaginar cenários bem piores.

Por isso que a reserva de emergência existe: para te dar tranquilidade, sanidade e te fazer dormir tranquilo a noite.

Onde investir para a reserva de emergência?

Para escolher a aplicação para investir a reserva de emergência você deve garantir duas coisas: segurança e disponibilidade.

A segurança é necessária porque você não pode correr o risco do dinheiro que você tem guardado para emergência simplesmente sumir ou diminuir. Ela é a sua garantia, tem que estar em um local seguro.

A reserva de emergência pode salvar sua pele

Não adianta ter a reserva de emergência completa em alguma aplicação se em algum momento ela simplesmente sumir porque a instituição teve algum problema.

É importante destacar que não existe aplicação 100% segura, ou seja, livre de riscos. Mas existem aplicações seguras, com baixas chances de ter algum problema.

Quando uma emergência acontecer, você precisará do dinheiro no mesmo momento. Por isso ela deve ter alta disponibilidade, em investimentos você deve olhar para a liquidez e o prazo de resgate.

Um investimento possui alta liquidez quando os juros são pagos diariamente, ou seja, todo o dia o valor do investimento aumenta um pouco. O investimento pode ter liquidez no vencimento, ou seja, a rentabilidade só será paga na data em que a aplicação vencer.

Os investimentos da reserva de emergência devem ter liquidez diária, assim se você precisar sacar o dinheiro irá receber também os juros.

Já o prazo de resgate é quanto tempo depois de solicitar o resgate o dinheiro estará na sua conta. Para a reserva de emergência esse prazo deve ser de, no máximo, D+1. Ou seja, deverá estar disponível na sua conta no dia seguinte da solicitação do resgate.

Existem também investimentos com prazo D+0, que disponibilizam o valor no mesmo dia da solicitação do resgate. E o prazo imediato, onde o valor é disponibilizado no mesmo momento da solicitação do resgate.

Aplicações sugeridas

Se uma aplicação atende essas duas exigências então ela pode ser utilizada como reserva de emergência. Mas algumas são constantemente usadas para esse fim.

Tesouro Direto SELIC

O Tesouro Direto é a aplicação mais segura do Brasil. Ele consiste em comprar títulos do Governo brasileiro com a promessa que o Governo os recompre por um valor superior. Essa diferença de valor é a rentabilidade da aplicação.

Por ser muito segura, essa aplicação já atende a primeira exigência. Mas e a segunda?

Existe uma modalidade chamada Tesouro Direto SELIC onde o investidor recebe 100% do CDI e possui liquidez diária. Mais exatamente D+1.

Muitos educadores financeiros defendem que o Tesouro Direto SELIC deve ser usado como reserva de emergência já que possui liquidez diária e, principalmente, é a aplicação mais segura do país.

CDB

CDBs (Certificado de Depósito Bancário) são certificados emitidos por bancos. A ideia aqui é semelhante ao Tesouro Direto, mas ao invés de ser emitido pelo Governo os bancos são os responsáveis.

Onde investir a reserva de emergência

Existem diversos tipos de CDBs, com várias opções de liquidez e segurança. Novamente, você precisa focar na liquidez e segurança; então só deve olhar para a rentabilidade quando a liquidez e segurança das aplicações empatarem.

A liquidez da aplicação está diretamente atrelada a rentabilidade. Quanto mais líquida for a aplicação menor será a sua rentabilidade. Apesar de não ser uma missão trivial, é possível encontrar CDBs com liquidez diária e rentabilidade de 100% do CDI.

Muitos CDBs com liquidez diária são D+0 ou até liquidez imediata.

O Banco Inter, por exemplo, possui um CDB com liquidez diária e com rendimentos a partir de 100% do CDI (dependendo do valor investido a rentabilidade aumenta).

Se, por exemplo, você achar dois CDBs de um mesmo banco, ambos com liquidez diária e um rendendo mais que o outro então você pode optar pelo de maior rentabilidade. Perceba, entretanto, que a rentabilidade foi o último item a ser avaliado.

Sobre a segurança, o CDB perde para o Tesouro Direto. Isso porque o seu risco é o banco que emitiu o certificado falir ou dar o calote. Entretanto o CDB possui uma proteção extra, o FGC.

O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) é uma instituição criada para dar segurança a uma série de aplicações, entre elas, o CDB. A ideia é que se algo acontecer com o banco e ele não honrar seus compromissos, o FGC pague o investidor para que não saia no prejuízo.

É claro que se isso acontecer um processo burocrático deve ser instaurado que pode colocar o investidor em problemas se precisar do dinheiro no curto prazo, mas o fato é que dificilmente isso aconteceria. Entretanto, existe a possibilidade.

NuConta

A conta corrente do Nubank é chamada de NuConta e possui uma característica interessante: rende 100% do CDI para todo o seu saldo.

Se você tiver R$ 100 no saldo da NuConta, ele irá render 100% do CDI de forma automática. E estará totalmente disponível para saque, pagamento de contas, transferência e todos os outros serviços.

Essa aplicação é chamada RDB (Recibos de Depósito Bancário) e também possui cobertura do FGC; ou seja, tem a mesma segurança do CDB.

Assim, o RDB possui liquidez imediata e cobertura do FGC. Dessa forma, possui disponibilidade e segurança, portanto, pode ser usada como reserva de emergência!

A melhor aplicação

Apesar de não ser a resposta que você esperava, ela é bem simples: depende!

Melhores aplicações para a sua reserva

Cada aplicação tem as suas vantagens e desvantagens. O mais seguro de todos é o Tesouro Direto SELIC, mas alguns CDBs e o RDB possuem liquidez imediata. Aí fica ao seu critério.

Você também pode colocar a rentabilidade na mesa. Todas essas aplicações possuem rentabilidade semelhante e devem pagar imposto de renda. O Tesouro Direto, entretanto, tem uma taxa extra de 0,25% ao ano.

Essa taxa é suficiente para te fazer desistir do Tesouro Direto? Depende de você, mas, de novo, a rentabilidade deve ser a última coisa ser avaliada nessa análise.

Uma estratégia comumente usada é diversificar as aplicações. Ou seja, aplicar uma parte no Tesouro Direto SELIC, outra parte em um CDB, outra no RDB,…

A vantagem dessa estratégia é que o risco diminuí muito. Se algo acontecer com uma instituição apenas o dinheiro investido nela estará sob risco, você terá o resto ainda disponível.

Aplicações não recomendadas

É normal, principalmente para o investidor iniciante, ir atrás de aplicações não aptas para a reserva de emergência em busca da maior rentabilidade.

Muitos perguntam se os FIIs (Fundos de Investimentos Imobiliários) não podem ser usado na reserva de emergência.

E a resposta é não!

O porquê é muito simples: o FII não respeita os dois critérios para fazer parte da reserva de emergência. Ele não é seguro!

O FII faz parte da renda variável, portanto, sua cotação pode flutuar para cima ou para baixo. E se quando você precisar da sua reserva de emergência seu FII estiver valendo 20% menos de quando você o comprou? Você irá perder dinheiro!

Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Além disso, a liquidez do FII pode ser baixa, mais um ponto negativo para seu uso na reserva de emergência.

Lugar de renda variável não é na reserva de emergência. Seja FII ou seja ação, a renda variável deve estar alocada em outra parte da sua organização financeira.

Se estiver na dúvida, sempre se pergunte:

Esta aplicação é segura? Possui liquidez diária?

Se a resposta for sim para as duas então pode usar como reserva de emergência, caso contrário é melhor deixar pra lá…

E esse pensamento não se restringe a renda variável. Existem aplicações na renda fixa que também não são aptas para a reserva de emergência.

O LCI / LCA, por exemplo, apesar de serem seguros e possuírem cobertura do FGC não têm liquidez diária. Portanto deve ser descartado como opção da reserva de emergência.

Com a taxa SELIC baixa, onde investir?

No momento que este artigo está sendo escrito a taxa SELIC está atingindo mínimas históricas. Com isso, os investimentos em renda fixa (que é o caso das aplicações recomendadas) estão rendendo menos.

Assim muitas pessoas perguntam: onde investir agora?

E a resposta é: no mesmo lugar, nada mudou!

Lembra dos dois critérios da reserva de emergência? Disponibilidade e segurança.

A taxa SELIC não interfere em nenhum deles! Então nada deve mudar.

Apesar de ser difícil ver seus investimentos renderem menos, a reserva de emergência é lugar de segurança e não de rentabilidade.

Você pode mudar seus investimentos para outros fins, mas para a reserva de emergência não.

Valor da reserva de emergência

A ideia da reserva de emergência é que ela sirva para cobrir qualquer emergência que possa surgir. Infelizmente, não existe um teto de valor para uma emergência então então você pode usar uma fórmula.

O valor deve ser calculado baseado na sua realidade

O primeiro passo é calcular o valor dos seus custos mensais (CM). Note que aqui você deve calcular o valor das despesas e não o valor que você ganha mensalmente.

Se você ganha R$ 2.000, mas gasta mensalmente R$ 1.500 então seu CM é de R$ 1.500. Se você ganha R$ 2.000, mas gasta mensalmente R$ 2.300 (o que você não deveria fazer) então o CM é de R$ 2.300.

Os educadores financeiros chegam a um consenso que a sua reserva de emergência deve ser de 6 à 12 vezes seu custo mensal.

Mas qual escolher?

Se você está trabalhando, é registrado então você tem algumas garantias. Assim pode calcular sua reserva de emergência para 6 meses seu custo mensal.

Agora se você é autônomo, empreendedor ou não possui garantias então deve calcular sua reserva de emergência para 12 meses do seu custo mensal.

Por exemplo, se o seu CM é de R$ 1.500 e você tem garantias, sua reserva de emergência deve ser de R$ 9.000. Se você não tem garantias então sua reserva deve ser de R$ 18.000.

Essa sugestão de 6 a 12 meses é uma média que a maioria dos educadores ensinam. Mas existem aqueles que dizem que pode ser de 3 meses e aqueles que dizem que deve ser de 18 meses.

Não existe certo ou errado. Existe o que a maioria fala e existe aquilo que você se sente confortável.

Montando a reserva de emergência

A reserva de emergência é a primeira coisa que você deve se preocupar ao iniciar os investimentos.

Por mais que existam outras aplicações mais rentáveis que são tentadoras será a reserva de emergência que vai te dar tranquilidade.

Imagine que você tem o custo mensal de R$ 1.500, mas tem apenas R$ 1.000 guardado na reserva de emergência. Mesmo sabendo que está fazendo errado, você tem R$ 8.000 em ões.

Alguma coisa acontece com a economia, você perde seu emprego e suas ações caem 50%. Agora você tem apenas R$ 1.000 para usar nessa emergência. É verdade que você pode vender suas ações, mas irá resgatar R$ 4.000.

Se você tivesse guardado corretamente teria 6 meses do seu custo mensal e estaria bem mais tranquilo. Agora você vendeu suas ações baratas e perdeu dinheiro.

Depois que você tiver montado sua reserva de emergência poderá diversificar seus investimentos. Dessa vez, de forma planejada e tranquila.

Quando usar a reserva de emergência

Como o próprio nome diz, a reserva de emergência deve ser usada em emergências.

Emergências médicas são um caso em que pode ser usada

Algumas são:

  • Você ou alguém da família foi demitido
  • Você ou alguém da família está doente
  • É necessário comprar um remédio caro
  • Aconteceu um acidente em casa
  • Um equipamento essencial quebrou e precisa consertar ou trocar
  • Entre outros…

Um uso possível da reserva de emergência é para aproveitar oportunidades. Nesse caso, entretanto, deve ser usado com cuidado e bom senso.

É recomendado que só seja usado assim se sua reserva de emergência estiver completa e saudável.

Imagine essa situação: sua geladeira (produto essencial) quebrou e você precisa de uma nova. Na loja, o vendedor te dá duas opções:

  1. Comprar em 3x sem juros
  2. Comprar à vista com 10% de desconto

Você poderia comprar em 3x sem mexer na reserva de emergência, mas como ela está completa e você está estável financeiramente tem a opção de sacar esse valor e pagar com desconto.

Note que esse desconto é superior ao valor que a aplicação rende, portanto financeiramente faz sentido.

Independente do motivo, sempre que um valor for retirado da reserva de emergência ele deve ser reposto o mais rapidamente possível. E só depois de estar restabelecida que novos aportes podem ser direcionados para outros fins.

Conclusão

A reserva de emergência é uma forma de você manter a sua cabeça no lugar. Com ela você não precisa se preocupar com o curto prazo. Se algo acontecer você tem um dinheiro reservado e poderá contar com ele.

Por isso é importante ter claro na sua cabeça que o objetivo da reserva de emergência não é rentabilidade e sim segurança. Se for possível aumentar a rentabilidade mantendo a segurança, ótimo! Mas não é essa a finalidade.

Como está a sua reserva de emergência? Está completa? Onde que você a deixa guardada? Comenta aí embaixo para a gente saber.

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